quinta-feira, 18 de março de 2010

Essa é uma história verídica que mais parece ficção. Ficção-científica, é claro - com toda a liberdade que o gênero literário permite, desde cosmonautas soviéticos à viagens espaciais. Acima de tudo, é uma história sobre encontros.

Quando era garoto, minha escola recebeu a visita de um cosmonauta russo. Dizia-se à época que era o homem que havia passado mais tempo em órbita na Terra - ou fora dela. Seu nome, nunca soube. No entanto, não perdi tempo, quando pude, abracei-o e fiz pose pra foto. É o meu retrato favorito; eu e o herói soviético, meu amigo cosmonauta. Seu nome, nunca soube. Os anos foram se passando e muito tempo depois de meu amigo cosmonauta entrar em órbita pela primeira vez, eu também me lancei em uma nova jornada: o ciber-espaço. Tentei seguir seu rastro, "o homem que passou mais tempo em órbita". Nada, um verdadeiro buraco negro. Continuei tentando, nada, nada... Mas a foto na parede do meu quarto, eu e meu amigo-herói incógnito, legítimo cosmonauta russo (Cosmonauta! não outra coisa), sempre me cativou a seguir tentando, tentando, tentando... até que, finalmente, depois de longa e infatigável expedição, veio a recompensa pela dedicação; meio herói do espaço não é mais um rosto anônimo, ele tem um nome e uma história: Vladimir Kovalyonok, comandante das missões Soyuz 25; 29; 31 e T-4, passou ao todo 216 dias, 9 horas e 8 minutos orbitando no espaço. Não é o recorde, mas é muito pra mim. Meu herói!


Eu e o Cosmonauta Russo Vladimir Kovalyonok


Viktor Savinikh e Vladimir Kovalyonok, os tripulantes da estação espacial russa Salyut 6 na missão Soyuz T-4


Soyuz T-4 a bordo da Salyut 6


Comandante Vladimir Kovalyonok



Meu relato termina aqui, mas essa história não; deixe o comandante Kovalyonok contar sua própria história. Guardei a emoção para o final...


http://www.meionorte.com/upupi,o-caso-salyut-6-astronautas-russos-tiveram-uma-incrivel-experiencia,88757.html


Sorry Houston, we haven´t a problem!



 

terça-feira, 2 de março de 2010

Para nós, Ele tem indicado o trabalho de permanente desemprego.

Afinal, se Ele quisesse que nós trabalhássemos,
Não teria criado esse vinho.

Com o estômago cheio disso, Doutor,
Você se apressaria em embrenhar-se na economia?




Jalaloddin Rumi*, Diwan-e Shams

*O mais lido e traduzido dos poetas santos da Pérsia (1207-1273).

segunda-feira, 1 de março de 2010

Ao menos uma vez, voltemos nossa atenção para a história de um modo diferente e passemos a observá-la com outra visão, através dos olhos das pessoas comuns, dos seguidores. Sabemos intuitivamente que a história caminha bem antes da chegada dos líderes, e continuará caminhando com ou sem sua ajuda. Os princípios da espiritualidade, da justiça e da liberdade estão profundamente arraigados na vida das pessoas comuns e o desejo de expressar estes princípios motivam as pessoas a tomar atitudes. Este é o motor que movimenta a roda da história, e não grandes homens ou grandes mulheres.

Essas pessoas, nobremente comuns, participam com entusiasmo, inteligência e autoconfiança – mas sem brilho – da busca pelos objetivos, individuais ou coletivos, de fazer um sonho tornar-se realidade. Têm coragem para serem honestos consigo mesmos. Sacrificam recompensas sociais, status, dinheiro e fama para serem justos consigo mesmos e encontrar seu significado na vida. Não são, absolutamente, ovelhas passivas, ou pessoas que dizem sim à tudo; têm personalidade suficientemente forte para seguirem seu caminho. E este caminho é justamente o de trabalhar com outras pessoas quando se faz necessário, e não competir com elas; é fazer o serviço, e não ansiar por poder ou crédito; é agir pelo que é correto, e não pelo que lhes possa garantir alguma promoção; e saber quando o suficiente é suficiente.

Conhecida por todos é a história de Cincinatus, fazendeiro e general da República Romana. Em 458 a.C., o exército romano, comandado pelo cônsul Minucius, achava-se sitiado pelos aqueus, inimigos que marchavam contra ele. O governo designou Cincinatus para socorrer Minucius e liderar o exército naquela época de necessidades. O mensageiro encontrou Cincinatus arando suas terras. Informado sobre o comando que recebia, Cincinatus vestiu sua farda, deixou sua fazenda, assumiu o comando das tropas e ofereceu uma alternativa: seguidores e líderes deveriam coexistir lado a lado. Em 15 de dias, os romanos derrotavam os aqueus e retornavam a Roma em triunfo. Embora o governo tenha oferecido a Cincinatus o título de ditador, ele voltou à sua fazenda como cidadão comum, feliz, satisfeito e vitorioso.!